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Ex vice presidente

Temer encerra carreira política e não será mais candidato: “Já fui tudo”

Ele acrescentou que pretende se manter o mais discreto possível porque considera este o papel a ser desempenhado por quem foi presidente da República.

15/02/2020 17h48
Por: Editor Master
Fonte: Oitomeia
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O ex-presidente Michel Temer (MDB) disse que já ocupou todos os cargos possíveis e não será mais candidato em eleições. Ele acrescentou que pretende se manter o mais discreto possível porque considera este o papel a ser desempenhado por quem foi presidente da República.

Temer entrou para a vida pública em 1983 ao ser nomeado procurador-geral do Estado de São Paulo pelo governador Franco Montoro. Ele foi deputado constituinte, presidiu a Câmara dos Deputados três vezes, foi vice-presidente e presidente da República. Também comandou o PMDB por 15 anos, quando o partido era o maior do Brasil.

“Eu já fui tudo”

O ex-presidente afirmou ainda que depois de usar a faixa presidencial, não existe mais cargo a ocupar politicamente.

A essa altura, eu não tenho nenhuma intenção [de ser candidato]. Até porque, quem chegou à Presidência da República, em primeiro lugar, não pode ocupar outro cargo. Em segundo lugar, tem que ser de uma discrição absoluta. O que eu tenho procurado fazer.

Falando da carreira, o ex-presidente declarou que tem somente um arrependimento: a conversa com Joesley Batista.

 

O empresário da JBS gravou o presidente e a divulgação do conteúdo gerou grande crise com expectativas de que ele renunciasse. Temer fez um pronunciamento de maneira enfática falando “não renunciarei, repito, não renunciarei!”.

 

Ele declara que não praticou qualquer ilegalidade, mas reclamou que o episódio atrapalhou o seu governo.

 

Se você perguntasse, ‘do que você se arrependeu?’ Acho que me arrependi de receber esse sujeito. Embora não tivesse a menor ideia, embora recebesse muitos [empresários]. Porque, as vezes, a pessoa diz assim: ‘mas você recebeu às dez e meia da noite’. Meu caro, você acha que o presidente trabalha das 8 até 6 horas da tarde?

Depois de deixar a Presidência, Michel Temer foi preso em um desdobramento da Operação Lava Jato, em março do ano passado, sob suspeita de ter recebido propina de R$ 1,1 milhão de um contrato da Eletronuclear, estatal responsável pela construção de Angra 3.

Pessoas ligadas ao ex-presidente como seu ex-ministro Moreira Franco e o ex-coronel da Polícia Militar João Baptista Lima Filho também foram detidos.

Temer foi preso pela segunda vez por causa da mesma situação sob suspeita dos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e desvio de dinheiro público. Ele refuta as acusações e diz que vai provar inocência.

A carreira de Michel Temer

1981: filiação partidária ao PMDB, hoje MDB, partido que ainda integra

1983: nomeado procurador-geral do Estado de São Paulo

1985: como secretário de Segurança Pública de São Paulo, criou a primeira Delegacia da Mulher do Brasil em 6 de agosto

1987: suplente, assume vaga de deputado federal com a licença de Tide de Lima em 16 de março e se torna constituinte

1992: volta a ser secretário de Segurança Pública de São Paulo seis dias depois do massacre do Carandiru

1994: eleito deputado federal, fica na Câmara dos Deputados até 2010. Ele foi o presidente da Casa em três oportunidades

2010: eleito vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff (PT), foram reconduzidos na eleição seguinte

2016: Senado instaura o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT); Temer assume interinamente e fica no cargo até as eleições

2019: entrega a faixa presidencial ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido)

2020: anuncia que não vai concorrer em eleições

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Natalia Financeira
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