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Greve dos Correios

Trabalhadores dos Correios entram em greve por tempo indeterminado

A decisão unânime saiu em assembleia extraordinária realizada na noite de terça (10) no pátio do edifício sede dos Correios do Piauí em Teresina.

11/09/2019 19h40Atualizado há 5 dias
Por: Fabrício Vieira
Fonte: Cidade Verde

Os trabalhadores dos Correios do Piauí estão em greve por tempo indeterminado. Eles reivindicam o reajuste salarial e a não privatização da empresa. A informação foi confirmada pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Piauí, Edilson Rodrigues.

A  decisão unânime saiu em assembleia extraordinária realizada na noite de terça (10) no pátio do edifício sede dos Correios do Piauí em Teresina. O movimento é nacional, e outros estados aderiram a greve. 

"Estamos em campanha salarial com o pedido de reajuste salarial de 3,79% em cima da inflação e o aumento real de 8%. Além disso, estamos nessa luta contra a privatização dos Correios, que está sendo destruído há cerca de dois anos e se intensificou neste Governo Federal", comentou o sindicalista.

 

Rodrigues ressaltou que "o governo federal está sucateando a empresa para transparecer que é inviável a sua manutenção, e a gente entende que não é assim", defende.

 

Os clientes que tiveram dúvidas sobre cartas e encomendas devem procurar por uma central de atendimento/distribuição para identificar o andamento da postagem. Ou pelo site da empresa. 

 

O sindicato divulgou uma nota de esclarecimento; veja na íntegra: 

 

O Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), documento que deve ser acordado e assinado entre Empresa e a representação dos trabalhadores (Sindicatos/Federação), deveriam ser discutindo no mês de junho/julho, porém os representantes da direção da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT/Correios) se mostraram intransigentes, apresentando retirada de diversos direitos e não abrindo espaço para se negociar.

 

A ECT por várias vezes desconsiderou o Comando Nacional de Negociação e Mobilização (CNNM), deixando de comparecer a reuniões agendadas em conjunto e demonstrando que não iriam recuar nas propostas de retirada de direitos duramente conquistados pela categoria.

 

 

 

No final de julho, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) se propôs a realizar uma mediação entre as partes e prorrogou o ACT vigente (2018/2019) até o dia 31 de agosto. Inclusive, mantendo a situação dos pais no Plano de Saúde. Porém, no dia seguinte a prorrogação, a direção da ECT desautorizou o atendimento dos pais dos funcionários, permitindo apenas em caso de urgência.

 

Durante o período da prorrogação proposta pelo vice primeiro ministro do TST, a empresa se negou a participar e apresentar uma proposta que pudesse atender aos interesses dos trabalhadores, se negando a negociar e não aceitando a prorrogação proposta mais uma vez pelo TST para o dia 29/09.

 

O QUE QUEREM RETIRAR

 

A proposta da direção da ECT para os trabalhadores é a Redução dos Tickets Refeição/Alimentação com aumento do com­partilhamento (5%, 10% e 15%). Redução de 26 para 23 tickets e de 30 para 27 tickets. O não pagamento dos tickets nas férias [com a manutenção do vale cesta]. Não pagamento do vale peru. Exclusão do Vale Cultura. Redução do Adicional Noturno de 60% para 20%; Redução da Grati­ficação de Férias de 70% para 33% conforme a CLT. Redução do per­centual do valor pago do trabalho em dia de Descanso de 200% para 100% e um reajuste salarial pífio de 0,80% sobre o salário base.

 

Segundo alguns estudos realizados pela FINTECT, somando-se todos os ataques apresentados na proposta da direção dos Correios a perda anual chega a média de 40%, um verdadeiro ataque contra a categoria.

 

A LUTA NÃO É SÓ ECONÔMICA

 

Outro fator que está mobilizando os ecetistas é o anuncio do presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia Paulo Guedes que pretendem privatizar os Correios, realizando um ataque contra a soberania nacional e pretendendo vender a empresa estatal mais antiga do país.

 

Para a categoria, existem 2 fatores fundamentais com relação a defesa dos Correios como empresa 100% pública: 1 – O fator de abrangência logística; 2 – O papel social dos Correios.

 

 

 

1 – Abrangência logística; Os trabalhadores dos Correios sabem que a empresa está presente na vida do povo brasileiro em seus mais de 5.570 munícipios, garantindo o direito a comunicação de toda população brasileira. Caso seja realizada a privatização, muitos municípios vão ficar descobertos.

 

A campanha de difamação articulada para enfraquecer a imagem dos Correios perante a opinião pública esconde que muitas empresas que tentam concorrer com os Correios só querem atender aos grandes centros e quando as encomendas são para cidades distantes essas empresas utilizam o serviço dos Correios para executar a entrega.

 

2 – A importância do papel social dos Correios; Poucas pessoas sabem que os Correios são essenciais para a realização de políticas públicas e serviços sociais para a população. As campanhas de vacinação, campanha de amamentação, responsável pela logística do ENEM, distribuição das urnas no período eleitoral, entrega de donativos e atuação em grandes tragédias como Mariana e a de Brumadinho. Além dos serviços do Banco Postal que faz o papel de uma agência bancária e permite a circulação de dinheiro em muitas localidades.

 

NÃO A CAMPANHA DE DIFAMAÇÃO

 

Os trabalhadores também estão mobilizados contra essa campanha de difamação que tenta jogar a opinião pública contra os Correios para justificar a sua venda. Porém não revelam para a população que os ECT é autossustentável, vem apresentando recuperação de seus ganhos, mesmo não sendo uma empresa voltada para o lucro, mas sim, para atender essa importante demanda social que é a comunicação.

 

Grande parte dos problemas gerados nos Correios é fruto da ingerência política que sempre aconteceu na empresa. Que compromete a gestão e apadrinha alguns poucos escolhidos.

 

Os trabalhadores também tem consciência de que muito se fala sobre a previdência dos trabalhadores, mas não é exposto para o grande público que o ministro da economia está sendo investigado pela fraude no Postalis pela Controladoria Geral da União (CGU), Ministério Público Federal como já apresentaram diversas reportagens.

 

 

 

SINTECT-PI, NENHUM DIREITO A MENOS

 

 

 

Segundo os Correios, a paralisação parcial dos empregados não afeta os serviços de atendimento da estatal. Confira nota na íntegra:

 

A empresa já colocou em prática seu Plano de Continuidade de Negócios para minimizar os impactos à população. Medidas como o deslocamento de empregados administrativos para auxiliar na operação, remanejamento de veículos e a realização de mutirões estão sendo adotadas.

 

Levantamento parcial realizado na manhã desta quarta-feira (11) mostra que 82% do efetivo total dos Correios no Brasil está trabalhando regularmente. No Piauí 86,68% dos empregados estão trabalhando normalmente.

 

Negociação — Conforme amplamente divulgado, os Correios estão executando um plano de saneamento financeiro para garantir sua competitividade e sustentabilidade. Desde o início de julho, a empresa participa de reuniões com os representantes dos empregados, nos quais foram apresentada a real situação econômica da estatal e propostas para o acordo dentro das condições possíveis, considerando o prejuízo acumulado, atualmente na ordem de R$ 3 bilhões. As federações, no entanto, expuseram propostas que superam até mesmo o faturamento anual da empresa.

Vale ressaltar que, neste momento, um movimento dessa natureza agrava ainda mais a combalida situação econômica da estatal. Por essa razão, os Correios contam com a compreensão e responsabilidade de todos os seus empregados, que precisam se engajar na missão de recuperar a sustentabilidade da empresa e os índices de eficiência dos serviços prestados à população brasileira.

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